A escola privada e sua relação com a imprensa

A profissionalização do ambiente escolar trouxe uma nova realidade ao setor de educação. A escola virou negócio; o pai, cliente. E como todo bom negócio, para se manter em um mercado cada vez mais competitivo, é preciso investir. Ai que entra a relação entre as escolas privadas e a imprensa.

Nesses quase quinze anos acompanhando os bastidores do universo educacional privado, tenho notado um esforço coletivo de mantenedores e gestores em adquirir serviços e soluções focados na captação e manutenção de novos alunos. Com estratégias diversificadas, investem boa parte da receita em propaganda e nas campanhas de matrículas.

Paralelamente, o assunto educação ganha força nos noticiários. Afinal, um mercado que movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano ganha a atenção da imprensa não só como elemento político e social, como econômico – educação agora também é pauta nos editoriais de finanças e negócios. E aí vem a pergunta: Por que a assessoria de imprensa ainda é um campo pouco explorado empresários de educação básica?

Estudo do Datafolha

Estudo recente realizado pelo Instituto Datafolha mostra que conteúdos sobre Educação são os mais atrativos para 80% dos brasileiros quando se trata de notícias e reportagens.

Os dados são animadores para quem atua com o segmento por indicar uma valorização da área pela opinião pública. A Educação ficou acima de outros temas como saúde (78% declararam ter muito interesse), cultura (54%), economia (45%), ciência (44%), esportes (40%), política (23%) e entretenimento (18%).

E o mais relevante: a cobertura jornalística, que antes se restringia basicamente a políticas públicas, está dando cada vez mais espaço à educação privada. Em especial no que se refere a questões comportamentais e ao dia a dia da relação família-escola. O fato é que as metodologias pedagógicas, técnicas de aulas e questões inerentes ao universo escolar passaram a atrair a atenção da opinião pública.

As escolas privadas e a imprensa

Nesse cenário, levam vantagens as escolas que mantêm um canal com a imprensa. Afinal, o jornalista não vivencia o dia a dia da escola, e fontes que o municiem de informações sobre esse universo são geralmente bem aproveitadas. Do outro lado, não faltam na escola assuntos que podem virar pauta: projetos educacionais, alunos-destaque, professores especialistas, tecnologia educacional e, por que não, a escola como negócio.

Há ainda a possibilidade de aproveitar oportunamente o noticiário factual, que no jargão jornalístico são os chamados “ganchos”. O  bullying, por exemplo, ganhou repercussão na imprensa e as escolas que realizam trabalhos preventivos viraram notícia.

Nesse sentido, habilidades socioemocionais, competências do século XXI, bilinguismo, entre outros assuntos que estão no radar das novas tendências da educação favorecem as escolas que já estão em linha com as novas exigências da BNCC.

Outros pontos favoráveis em manter uma assessoria de imprensa

Outro ponto favorável ao manter um serviço de assessoria de imprensa é a credibilidade e a reputação propiciadas pela mídia espontânea. Quanto a escola gasta, por exemplo, para anunciar um evento aberto à comunidade no jornal de bairro ou da sua cidade? E se a mesma informação fosse oferecida à imprensa como pauta, como prestação de serviço à comunidade?

O nome da escola poderia até ser mencionado na grande imprensa. Sem contar a repercussão da matéria, que agora tem as redes sociais como canal potencializador de conteúdo.  Qual o valor dessa informação? Aí está uma conta difícil de fazer. Talvez por isso as escolas ainda tenham de fazer a lição de casa quando o assunto é o relacionamento com a imprensa.

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